Francisco Polónio: 50 anos de Patinter e o papel estratégico de Mangualde no sucesso da empresa

01 / 05 / 2017
Francisco Polónio: 50 anos de Patinter e o papel estratégico de Mangualde no sucesso da empresa


No ano em que a Patinter assinala 50 anos de atividade, Francisco Polónio, Presidente do Conselho de Administração do Grupo, partilha a visão estratégica que esteve na origem da escolha de Mangualde como sede da empresa, bem como as razões que continuam a tornar esta localização privilegiada para o desenvolvimento económico.

Nesta entrevista ao Mangualde Atual – Magazine Municipal, aborda ainda temas como a mobilidade, a valorização do interior, o papel da Patinter na região e os desafios para a fixação de jovens qualificados.

Francisco Polónio

Presidente do Conselho de Administração do Grupo Patinter


1. Porquê a escolha de Mangualde para a sede da empresa?

A Patinter foi criada para dar resposta aos transportes necessários para o abastecimento da linha de montagem da Citroën em Mangualde e por essa razão escolheu-se esta localização e devido a essa localização o negócio foi crescendo.

Gostaria de salientar que essa decisão foi tomada em 1974 (por isso essa razão permanece até hoje) e que comemoramos este ano os seus 50 anos de atividade.


2. Considera que Mangualde tem um posicionamento territorial privilegiado? Em que medida é que isso contribui para o desenvolvimento das empresas aí localizadas?

Sim, sem dúvida. Mangualde tem um posicionamento territorial privilegiado, é um ponto de passagem importante para as pessoas e para as mercadorias que utilizam as principais vias de comunicação que atravessam o concelho. Tanto a autoestrada A25, como a linha ferroviária da Beira Alta são usadas cada uma no seu modelo como porta de entrada ou saída na nossa principal fronteira terrestre que é Vilar Formoso. Para as empresas que precisam de exportar ou importar produtos, a localização desta cidade é uma mais-valia importante e que seguramente tem contribuído para o desenvolvimento destas empresas. Pela atividade que desenvolvemos, sobretudo a nível do transporte internacional, a localização é uma vantagem competitiva e uma parte do nosso sucesso tem origem nesse fator. Mesmo para as empresas que têm os clientes fornecedores no mercado interno a localização nesta zona territorial não é seguramente uma desvantagem, bem pelo contrário, estas vias de comunicação a que se juntariam em breve a conclusão do IC12 e a remodelação do IP3, são também sem dúvida, uma mais-valia competitiva muito importante.

Aproveito também esta oportunidade para dar a minha opinião sobre a reavaliação integral da linha da Beira Alta que está a decorrer. Acho que seria muito importante que se criassem melhores condições para que mais mercadorias pudessem circular nesta via utilizando, por exemplo, uma plataforma multimodal que ficasse localizada nesta região.

Arrisco mesmo a dizer que, numa primeira fase bastaria a reabilitação da atual estação em Mangualde, criando-se uma zona para a movimentação de contentores e caixas móveis, de camião para o comboio e vice-versa. É uma oportunidade que deve ser aproveitada porque se esta plataforma não for localizada no nosso concelho acabará por ser localizada noutro concelho distante em prejuízo da nossa região.


3. Como avalia a dinâmica económica do concelho e da região?

Não tenho indicadores estatísticos que me permitam declarar com precisão o dinamismo económico do concelho e da região, mas encontro de forma geral uma boa dinâmica nos muitos dinâmicos que cobrem diversos setores de atividade.

Vejo que se destacam nestas tradicionais que exigem muita mão de obra, nas empresas industriais com alguma complexidade, as TICs e setores com tecnologia mais de ponta como é o setor automóvel, ou o setor de serviços, como é o nosso caso nos transportes onde positivamente várias empresas que se implantam pela qualidade dos seus serviços têm vindo a influenciar como exemplo.


4. Considera as respostas sociais e económicas do concelho adequadas à fixação de jovens qualificados?

Considero que a criação de medidas sociais e económicas que potenciem a fixação de jovens no concelho, e sobretudo os mais qualificados, é um desafio permanente para qualquer gestão autárquica do interior do país.

Educação, saúde e segurança são pilares fundamentais que felizmente já temos com muita qualidade no concelho e na região. Também constato que alguns passos importantes têm sido dados tanto pela autarquia como pelo setor privado. A autarquia desenvolveu por exemplo o programa Mangualde INCLUI para cativar os jovens que ainda cá residem, promovendo mais que um financiamento direto e sem crédito, por outro lado o setor privado tem evoluído na criação de valor, até porque a oferta mais interessante para os jovens qualificados no concelho se distribui no distrito que se aproxima muito do nível da oferta dos setores urbanos nas principais metrópoles do país. Por outro lado, hoje os jovens também passaram a valorizar mais a qualidade de vida do que lhes é proporcionada no interior e com as vias de comunicação atuais têm a mobilidade facilitada para se deslocarem a qualquer evento noutras zonas do país.


5. O que distingue Mangualde dos concelhos vizinhos?

Por razões históricas, Mangualde sempre foi um concelho avançado, que estava muito além de outros concelhos vizinhos. Os grandes empreendedores da região elevam assim também o concelho com a sua indústria.

Compreendo economicamente porque se sente uma parte tão importante desse ecossistema de captação e manutenção de empresas, principalmente devido ao IC12 e a sua continuação na área fiscal ainda representa uma referência com o prazo.


???? Fonte: Mangualde Atual – Magazine Municipal N.º 5
???? Publicação: Município de Mangualde 


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