No âmbito do Dia Mundial da Saúde Mental, a Patinter promoveu uma iniciativa de sensibilização dirigida aos seus motoristas, em colaboração com a Dra. Catarina Aguiar, psicóloga do programa WellCare.
A ação enquadra-se no compromisso contínuo da Patinter em promover a saúde e o bem-estar de todos os seus colaboradores, dentro e fora da estrada.
Os motoristas foram convidados a enviar, por email, as suas perguntas e preocupações, às quais a Dra. Catarina respondeu, partilhando orientações práticas e conselhos úteis sobre os desafios emocionais associados à profissão.
Motorista 1: "Tenho muitas insónias. Não consigo dormir em condições e estou sempre em sobressalto. O que posso fazer para descansar melhor?”
Dra. Catarina Aguiar: As insónias em camionistas de longo curso estão muitas vezes associadas à irregularidade dos horários, à preocupação constante e ao ambiente pouco propício ao descanso. O ideal é promover higiene do sono: manter um horário aproximado para dormir, reduzir estimulantes (café, refrigerantes, tabaco) nas horas anteriores, e criar uma rotina de relaxamento (ex.: alongamentos, meditação guiada ou música relaxante). Se o sobressalto for frequente, pode indicar um estado de hiper-alerta — comum em profissões de risco ou elevada responsabilidade. Nesse caso, aprender técnicas de relaxamento e controlo da ativação (como respiração 4-7-8 ou mindfulness) é fundamental. Se o problema persistir, recomenda-se uma avaliação psicológica para compreender as causas mais profundas (ansiedade, stress crónico, burnout).
Motorista 2: "Quando volto de viagem e chego a casa, parece que já não pertenço ali. É normal sentir isso?”
Dra. Catarina Aguiar: Este sentimento é mais comum do que se pensa entre profissionais que passam longos períodos fora. O cérebro associa o camião à rotina, controlo e segurança, enquanto o regresso a casa implica mudança, exigências familiares e readaptação. Isto não significa falta de afeto, mas uma dificuldade de transição entre dois contextos emocionais distintos. O ideal é preparar o regresso: avisar quando chegar, combinar atividades leves e evitar sobrecargas no primeiro dia em casa. Conversar sobre esta sensação ajuda a reduzir a distância emocional e a reconstruir o sentimento de pertença. Em psicologia, trabalha-se este tema no âmbito da gestão de transições e reintegração familiar.
Motorista 3: "Há dias em que sinto uma tristeza que não passa. Penso que é apenas cansaço, mas começa a durar mais do que devia. Como posso perceber se é só isso ou se preciso mesmo de procurar ajuda?”
Dra. Catarina Aguiar: A tristeza é uma emoção normal, mas quando se torna persistente, intensa e interfere no funcionamento diário, pode indicar o início de um quadro depressivo. Os sinais de alerta incluem: cansaço constante, perda de interesse ou prazer, irritabilidade, dificuldades de concentração, alterações do sono e do apetite e pensamentos de desvalorização. O estilo de vida na estrada — isolamento, irregularidade de sono e alimentação — pode acentuar estes sintomas. O passo mais importante é não desvalorizar. Procurar um psicólogo ou médico é um ato de cuidado, não de fraqueza. Com apoio adequado, é possível prevenir a progressão da depressão e recuperar o equilíbrio emocional.
Motorista 4: "Com as viagens, os horários e as chamadas, sinto que o stress me muda o humor. Chego ao fim do dia irritado, sem paciência para nada. Há alguma forma simples de controlar isso?”
Dra. Catarina Aguiar: O stress constante ativa o sistema nervoso simpático, deixando o corpo em modo de alerta prolongado. Isso provoca irritabilidade, tensão muscular e fadiga mental. Estratégias eficazes incluem: pausas conscientes (respiração lenta, alongamentos curtos, música relaxante); planeamento realista da jornada para reduzir frustração; autoconsciência emocional, reconhecendo quando a irritação começa; descarregar a tensão fisicamente (pequenas caminhadas, exercícios simples ao parar). A regulação emocional é uma competência treinável. A psicologia ajuda a desenvolver técnicas de coping e gestão de stress ocupacional, adaptadas ao contexto do transporte rodoviário.
Motorista 5: "Estar muito tempo longe da família e dos amigos é complicado. Eles na vida deles e eu sozinho. Não é fácil. Às vezes pensa-se muito… Como lidar com isso?”
Dra. Catarina Aguiar: O isolamento é um dos principais fatores de risco emocional em motoristas de longo curso. A distância afeta o sentimento de pertença e pode gerar solidão ou pensamentos negativos. Manter rotinas de contacto com familiares, partilhar experiências e planear atividades para os dias em casa são formas eficazes de reduzir a distância emocional. Além disso, investir em autocuidado — ouvir podcasts, praticar gratidão, valorizar pequenos momentos — ajuda a preservar o bem-estar mental. Em casos de sofrimento mais intenso (tristeza profunda, pensamentos negativos frequentes), é importante procurar apoio profissional. A psicologia oferece estratégias de resiliência e suporte emocional, essenciais para quem vive longe dos seus afetos.
Cuidar de quem conduz connosco
Na Patinter, acreditamos que a saúde mental é parte integrante da segurança e do desempenho. Através do programa WellCare, promovemos ações de sensibilização, acompanhamento psicológico e bem-estar emocional, com o objetivo de apoiar todos os colaboradores — dentro e fora da estrada.